Diego a viu em um momento de distração. Ele estava lá, sentado com
sua bebida gelada sobre a mesa, olhando o movimento quando seus olhos
a encontraram. Encostada no balcão do bar, o vento do litoral
mexendo levemente seus cabelos morenos encaracolados e a luz do sol
refletindo em sua pele morena, naquele tom bronzeado mas não
queimado. A blusa azul céu só destacava ainda mais a forma de seus
seios e cintura, soltinha o bastante pra ficar um vão entre o umbigo
e o short jeans curto o suficiente pra atrair olhares masculinos,
femininos e de quem mais pudesse enxergar. E a clássica sandálias
havaianas, que Diego chama de chinelo mesmo e achou que era a única
coisa dispensável naquela imagem hipnótica.
Era o quadro perfeito, o sorriso branco e espontâneo, as covinhas
nas bochechas, os olhos castanhos, quase verde, quase mel, brilhando
e hipnotizando. E a risada dela deixou Diego mais tonto do que já
parecia estar. Devia estar dando aquela bandeira, mas azar, não
ligava porque tinha a certeza que não era o único. Estava a uns dez
metros de distância, mas o magnetismo dela o alcançava como se ele
estivesse ao lado, coladinho em seu ombro.
Imaginativo como era, Diego já imaginou aquela mulher de aparência
incomum, rara beleza, rainha do bar e da praia, quiçá do litoral
todo, virando preguiçosamente sua cabeça, com o pescoço à mostra
segurando um colar de artesanato, o cabelo seguindo o movimento e o
vento contrário levando algumas mechas de encontro ao rosto, esse
movimento tão simples e curto, mas que na cabeça de Diego duraria
horas e se repetiria como em um comercial de shampoo e terminando por
seus olhos encontrarem os olhos dele e então aquela pausa dramática
de cinco milionésimos de segundo em que os dois se olham. Mas é
nesse longo período de tempo que a magia acontece e ela percebe o
brilho nos olhos castanhos escuros de Diego e não consegue mais
desviar o olhar. Tanto magnetismo entre os dois faz com que, numa
contração involuntária dos músculos da face, surja um sorriso de
ambos os polos. Então, ainda na cabeça de Diego, ela gira seu
corpo agora totalmente na sua direção, olha pro lado do balcão,
sussurra, mia alguma coisa pra amiga que tá do lado, tão linda
quanto, mas que nem teve tempo de ser percebida por Diego, e larga o
copo da sua bebida gelada ao lado do da amiga linda invisível. Antes
de dar o primeiro passo, desvia de alguém que estava passando em
frente ao balcão e Diego não faz ideia do porquê ter imaginado
algo tão sem sentido e contraproducente do que um cara de bermuda
amarela florida, sem camiseta e queimado do sol surgir do nada em seu
devaneio. Então, finalmente caminha lentamente em sua direção,
desviando das cadeiras e pessoas e mesas e um cachorro deitado que
não tem nada a ver com a história, com desenvoltura, graça e
elegância. As pessoas do bar parecem estar congeladas, alheias ou
não ao importante e sutil acontecimento que está prestes a mudar a
vida dos dois para sempre ou até o fim do verão. Ela vem, vem,
quase chegando. Não desvia os olhos dos olhos de Diego que não
pisca nem se mexe nem mesmo pra perceber que estão um pouco ardentes
pois acabara de entrar um insignificante grãozinho mínimo de areia
no olho castanho brilhante esquerdo, que assim como a amiga linda,
fora solenemente ignorado pelos protagonistas do devaneio.
Enfim ela chega. Ela chega e para na frente da mesa. Ela chega, para
na frente da mesa e diz nada pois Diego, nesse exato momento se deu
conta que não precisava mais divagar, devanear, sonhar acordado,
pois aquela olhada, aquela cruzada de olhares inesperadamente
desejada aconteceu. E ele não pôde acreditar. Milionésimos de
segundo preciosos, em que ela percebeu a existência de tão
apaixonado fã. E para a surpresa de Diego, aquela magia, tão
lindamente imaginada, aconteceu de verdade e ela percebeu o brilho
nos olhos castanhos escuros de Diego e não conseguiu mais desviar o
olhar. Tanto magnetismo entre os dois fez com que um movimento
involuntário dos músculos da face se contraísse e um sorriso
surgisse de ambos os polos. Então, já não mais na cabeça de
Diego, ela girou seu corpo agora totalmente na sua direção, olhou
pro lado do balcão, sussurrou, miou alguma coisa pra amiga que
estava ao lado, tão linda quanto, mas que nem teve tempo de ser
percebida por Diego, e largou o copo da sua bebida gelada ao lado do
da amiga linda invisível. Antes de dar o primeiro passo, desviou de
alguém que estava passando em frente ao balcão e Diego não fez
ideia do porquê ter previsto algo tão sem sentido e
contraproducente do que um cara de bermuda amarela florida, sem
camiseta e queimado do sol surgindo do nada e, ainda por cima, real.
Então, finalmente caminhou lentamente em sua direção, desviando
das cadeiras e pessoas e mesas e um cachorro deitado que não tem
nada a ver com a história, com desenvoltura, graça e elegância e
um barulho irritante de chinelo sendo arrastado pelo chão que doía
nos ouvidos de Diego, que quebrou completamente a magia e fez com que
ele saísse do transe e percebesse que, ela não era tão bonita
assim na verdade, e desviou o olhar para seu copo de bebida gelada na
mesa. E a história acabou aqui, com final feliz para o cachorro, que
não estava na história e continuou deitado, alheio a essa
tragicômica narrativa.