sexta-feira, 29 de março de 2013

Só uma conversa


Aaah, o feriado! Mais ainda: um feriadão! Quantas palavras essas duas outras evocam? Descanso, viagem, família, comida, trânsito, encontro, silêncio, barulho. Uma desejada quebra na rotina dos estudos, do trabalho. Às vezes nem sempre menos trabalho ou estudo. Sim, feriado não é sinônimo de ociosidade. Seria bom se assim fosse, não? Um decreto nacional: “feriado é dia de não se fazer nada, nadinha.” Porque não fazer nada, às vezes, é necessário para o corpo e para a mente, essa quase incansável trabalhadora. Não é à toa que vemos nas redes sociais uma enxurrada de fotos fofas, textos, desenhos louvando o fim de semana. Essa vontade de sair da rotina parece ser inerente ao comportamento humano. Inquietude pra se aquietar. Ou não. Fim de semana ou feriado também são sinônimos de muito agito, altas badalações, curtição e outros lugares-comuns que não me vêm à mente agora. Mas deu pra entender.
O feriadão é um fim de semana prolongado(sério?) onde queremos nos sentir bem, seja fazendo o que se não se pôde fazer durante a semana, o mês, seja fazendo a mesma coisa, mas com mais tranquilidade. As duas coisas também servem, dependendo do tamanho do feriadão. Esse da Páscoa, particularmente, é um dos mais propícios à viajar pra minha terrinha, São Gabriel. Encarar um São João(quem conhece sabe o que falo), parando em tudo que é lugar que tenha mais que duas casas aglomeradas, levando cinco, seis horas de viagem que poderia durar quatro ou menos é um exercício que só feriados como a Páscoa me proporcionam. Chegar aqui e encontrar a família é um prazer que supera a viagem nem sempre confortável. Coisas de estudantes, não? Quantos não fazem isso? Seja de ônibus ou de carona, o fluxo de estudantes para suas cidades de origem nessas épocas do ano é intenso.Mas até agora não disse o que eu queria. Fico conversando, divagando e acabo não fazendo o que vim fazer aqui. É o clima do feriado, provavelmente. Quem viajou, ou viajará nesse feriado, quem ficou em casa estudando ou fazendo serviços caseiros que se acumularam durante a semana, quem somente colocou suas pernas pra cima, atirado em um sofá/cama/cadeira/grama, quem continua no mesmo ritmo de sempre, nada mudou(“mas eu sei que alguma coisa aconteceu, tá tudo assim, tão diferente...”) e quem está tão ocioso que chegou até a essa parte do texto. A todos esses eu vim aqui unicamente pra desejar um bom feriadão, que aproveitem como quiserem, que divirtam-se, mas que voltem renovados para a velha e boa rotina semanal. Com ou sem chocolate. Feliz Páscoa.  

domingo, 17 de março de 2013

Precisa um título?



Pensei em escrever alguma coisa, mas não sabia sobre o quê. Ficção, algo que me aconteceu ou que eu vi nesses últimos dias, uma pequena reflexão sobre as coisas da vida? Não sei, qualquer coisa, desde que fossem palavras no papel(metaforicamente falando, claro, pois agora eu só digito). Porém havia um problema: vou escrever o que, realmente? Não sabia. Continuo não sabendo, aliás. Mas queria escrever. Resolvi, então, fazer isso, escrever sobre o quê escrever. Uma metalinguagem interessante. Porque é um dilema na vida de quem gosta de fazer isso. A falta de um assunto, de um motivo pra escrever é um sentimento estranho, uma sensação que não é bem-vinda(bemvinda, bem vinda, não sei mais). Ora, como ser escritor se não sabe o que escrever? “Não tem o que falar fica quieto”, não é assim?
  Às vezes. Mas isso não é uma conversa(mentira, é sim) onde eu posso ofender a alguém(objeto direto ou indireto?) ou ser tachado de alguma coisa por um comentário mal interpretado ou mal formulado. Então, por que estou aqui, batendo meus dedos nervosamente no teclado? Porque eu preciso. Não estou sendo pressionado a produzir algum texto(ainda não), nem precisando vender alguma ideia. Preciso escrever porque a minha cabeça tem ideias que não cabem dentro do crânio. Muitas palavras zanzando dentro do cérebro querendo muito sair. Então eu faço isso: prendo-as aqui, no monitor(não papel, lembre-se) para que outras possam aflorar na minha cabeça. “Então tu está(sem 's', é uma conversa coloquial, ok?) só fazendo uma limpeza na tua cabeça?” Sim, pode-se dizer que sim. Mas esse texto não é um lixo descartável, estou apenas mudando-o de lugar. Tirando de onde está ocupando espaço onde algo mais produtivo ou de melhor qualidade possa estar. Quem sabe ao fim desse texto meio louco não surja na mente desse que digita erroneamente(mas que corrige e vocês nem perceberão) saia uma história que valha a pena colocar num papel(papel mesmo)? Agora pensei que isso é uma boa metáfora pra vida(que vai estragar esse já malfadado grupo de palavras): reciclar as coisas para que outras novas possam surgir. Não falei? Acabei de tornar tudo isso de uma pieguice melosa. Paulo Coelho adoraria(o meu professor de Literatura não).
E acho que já está na hora de terminar. Agradeço a quem chegou até aqui, seja por curiosidade, paciência, ociosidade, pena ou qualquer outro motivo, és um guerreiro(sem coloquialismo, pra ficar bonito, agora). “És”, será que foi só um? Não sei, obrigado mesmo assim, pois até o fim dessa linha o texto terá terminado. Está chegando ao fim. Chegou! Não, espera! Acabou de surgir uma ideia maravilhosa! Eureka! Funcionou!!  

Mulheres

Mulher. Assunto complicado. Se fosse sobre a Teoria das Supercordas ou a influência do Id no contexto histórico-politico-social seria mais fácil. Mas não. Sherlock Holmes, que conseguia desvendar um crime tendo como dados somente o que a vítima tomou no café da manhã, achava a mulher incompreensível; traiçoeira até. Nem Freud, com seu complexo de Édipo e teorias sexuais, não deu conta do recado. Poderia consultar alguém mais prático. O Aurélio, talvez. Esse sabe de tudo um pouco, mas creio que também ficaria devendo. Se todos esses e mais uma tropa de outras sumidades não conseguem definir completamente o que é mulher, o que eu-- um pobre mortal-- vou  poder dizer?
Muito. Porque é um assunto tão complexo e rico que todos têm sua própria definição de mulher e todos estão, ao seu modo, certos. A minha visão? Bem, já vi a mulher em suas muitas formas: mãe, irmã, prima, avó, amiga, namorada, colega, chefe e até inimiga (não queira ter uma nessa condição). Já reparou que na maioria das novelas o antagonista é mulher? E como são más! Fazem e acontecem. Como dizem no Orkut: eu tenho medo. Mas o esquisito é que os mocinhos adoram as vilãs, não conseguem largá-las.

O que me leva a dizer outra coisa marcante sobre as mulheres: a persistência. É tanta que chega a ser, às vezes, teimosia. Para qualquer coisa ou assunto. Seja pra defender uma tese de doutorado ou o sabor da pizza. Então o que dizer? Será que o silêncio é uma das definições de mulher? É provável. Assim como um discurso à la Fidel. E antagonismos- preto e branco; luz e escuridão; leve e pesado- também a definem.
É por essas e outras que acho que o que levou o homem a colocar a mulher sempre um degrau abaixo na sociedade ao longo da História é o medo. Sim, medo. Porque se “dessem corda” pra mulher ela derrubaria o homem do seu pedestal e botaria ordem na casa. E não é o que está acontecendo? Elas já estão até em profissões tradicionalmente masculinas, como policiamento e construção civil. Estão tomando a iniciativa nos relacionamentos. Imagina passar na rua e de uma obra, ouvir uma voz doce dizendo: “oi, gatinho, tua mãe é confeiteira? Porque você é um docinho”.
Claro que isso não é ruim, só diferente. E temos de nos adaptar. Afinal, a mulher sempre teve participação fundamental na nossa história, o que acontecia é que não lhe dávamos o crédito. Agora elas é que escrevem o roteiro, com mão firme.
E por falar em roteiro, o que me leva a discursos e reparei que esse texto está parecendo com um discurso de senador, que fala, fala e não diz nada. Mas com um assunto “fácil” desses? Creio que nem Rui Barbosa conseguiria um texto completo sobre esse assunto tão complicado.
Acho que vou chamar o pai e discutir sobre as supercordas. Mais fácil.