Numa
noite chuvosa e quente, ela estava no centro esperando o ônibus pra
ir pra sua casa. A parada tinha poucas pessoas que estavam absortas
em si mesmas. Ninguém conversava. Um escutava musica de cabeça
baixa, outro estava apenas sentado no banco de ferro. Tinha uma que
ficava cuidando os carros passar enquanto mexia em seu celular. Ela
apenas observava. E pensava na vida.
Não
demorou muito ali, logo o ônibus com direção ao Cassino chegou e
parou. Ela foi a primeira a entrar, seguida da mulher que observava
os carros e do guri que ouvia música. Passou a catraca após
cumprimentar a cobradora e sentou-se à direita, uma fila antes da
porta de saída. Achou a cara dela esquisita. Na verdade, todos os
cobradores têm cara estranha, pensou ela.
A
cada pessoa que entrava, era um julgamento. Achava que estava na
linha pro inferno, de tanta gente estranha e bizarra. Sentiu-se
aliviada quando alguns desceram no trevo. "Daqui pra frente, só
desce", pensou antes de dormir no trecho final do ônibus,
quando restavam ainda uns vinte minutos até sua parada.
Ao
chegar perto do seu destino, levanta-se e puxa a corda. O ônibus
anda mais um pouco e para exatamente em frente ao abrigo. Ao abrir a
porta, uma figura de pijama e pantufas desce o ônibus.
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