Pensei em escrever alguma coisa, mas não sabia sobre o quê. Ficção,
algo que me aconteceu ou que eu vi nesses últimos dias, uma pequena
reflexão sobre as coisas da vida? Não sei, qualquer coisa, desde
que fossem palavras no papel(metaforicamente falando, claro, pois
agora eu só digito). Porém havia um problema: vou escrever o que,
realmente? Não sabia. Continuo não sabendo, aliás. Mas queria
escrever. Resolvi, então, fazer isso, escrever sobre o quê
escrever. Uma metalinguagem interessante. Porque é um dilema na vida
de quem gosta de fazer isso. A falta de um assunto, de um motivo pra
escrever é um sentimento estranho, uma sensação que não é
bem-vinda(bemvinda, bem vinda, não sei mais). Ora, como ser escritor
se não sabe o que escrever? “Não tem o que falar fica quieto”,
não é assim?
Às vezes. Mas isso não é uma conversa(mentira, é sim) onde eu
posso ofender a alguém(objeto direto ou indireto?) ou ser tachado de
alguma coisa por um comentário mal interpretado ou mal formulado.
Então, por que estou aqui, batendo meus dedos nervosamente no
teclado? Porque eu preciso. Não estou sendo pressionado a produzir
algum texto(ainda não), nem precisando vender alguma ideia. Preciso
escrever porque a minha cabeça tem ideias que não cabem dentro do
crânio. Muitas palavras zanzando dentro do cérebro querendo muito
sair. Então eu faço isso: prendo-as aqui, no monitor(não papel,
lembre-se) para que outras possam aflorar na minha cabeça. “Então
tu está(sem 's', é uma conversa coloquial, ok?) só fazendo uma
limpeza na tua cabeça?” Sim, pode-se dizer que sim. Mas esse texto
não é um lixo descartável, estou apenas mudando-o de lugar.
Tirando de onde está ocupando espaço onde algo mais produtivo ou de
melhor qualidade possa estar. Quem sabe ao fim desse texto meio louco
não surja na mente desse que digita erroneamente(mas que corrige e
vocês nem perceberão) saia uma história que valha a pena colocar
num papel(papel mesmo)? Agora pensei que isso é uma boa metáfora
pra vida(que vai estragar esse já malfadado grupo de palavras):
reciclar as coisas para que outras novas possam surgir. Não falei?
Acabei de tornar tudo isso de uma pieguice melosa. Paulo Coelho
adoraria(o meu professor de Literatura não).
E acho que já está na hora de terminar. Agradeço a quem chegou até
aqui, seja por curiosidade, paciência, ociosidade, pena ou qualquer
outro motivo, és um guerreiro(sem coloquialismo, pra ficar bonito,
agora). “És”, será que foi só um? Não sei, obrigado mesmo
assim, pois até o fim dessa linha o texto terá terminado. Está
chegando ao fim. Chegou! Não, espera! Acabou de surgir uma ideia
maravilhosa! Eureka! Funcionou!!
Só quem escreve sabe que o ato é instinto, necessidade. E conhece também a agonia e o sentimento de inutilidade humana quando não conseguimos escrever.
ResponderExcluirEis uma verdade.
Excluir