Mulher.
Assunto complicado. Se fosse sobre a Teoria das Supercordas ou a
influência do Id no contexto histórico-politico-social seria mais
fácil. Mas não. Sherlock Holmes, que conseguia desvendar um crime
tendo como dados somente o que a vítima tomou no café da manhã,
achava a mulher incompreensível; traiçoeira até. Nem Freud, com
seu complexo de Édipo e teorias sexuais, não deu conta do recado.
Poderia consultar alguém mais prático. O Aurélio, talvez. Esse
sabe de tudo um pouco, mas creio que também ficaria devendo. Se
todos esses e mais uma tropa de outras sumidades não conseguem
definir completamente o que é mulher, o que eu-- um pobre mortal--
vou poder dizer?
Muito.
Porque é um assunto tão complexo e rico que todos têm sua própria
definição de mulher e todos estão, ao seu modo, certos. A minha
visão? Bem, já vi a mulher em suas muitas formas: mãe, irmã,
prima, avó, amiga, namorada, colega, chefe e até inimiga (não
queira ter uma nessa condição). Já reparou que na maioria das
novelas o antagonista é mulher? E como são más! Fazem e acontecem.
Como dizem no Orkut: eu tenho medo. Mas o esquisito é que os
mocinhos adoram as vilãs, não conseguem largá-las.
O
que me leva a dizer outra coisa marcante sobre as mulheres: a
persistência. É tanta que chega a ser, às vezes, teimosia. Para
qualquer coisa ou assunto. Seja pra defender uma tese de doutorado ou
o sabor da pizza. Então o que dizer? Será que o silêncio é uma
das definições de mulher? É provável. Assim como um discurso à
la Fidel. E antagonismos- preto e branco; luz e escuridão; leve e
pesado- também a definem.
É
por essas e outras que acho que o que levou o homem a colocar a
mulher sempre um degrau abaixo na sociedade ao longo da História é
o medo. Sim, medo. Porque se “dessem corda” pra mulher ela
derrubaria o homem do seu pedestal e botaria ordem na casa. E não é
o que está acontecendo? Elas já estão até em profissões
tradicionalmente masculinas, como policiamento e construção civil.
Estão tomando a iniciativa nos relacionamentos. Imagina passar na
rua e de uma obra, ouvir uma voz doce dizendo: “oi, gatinho, tua
mãe é confeiteira? Porque você é um docinho”.
Claro
que isso não é ruim, só diferente. E temos de nos adaptar. Afinal,
a mulher sempre teve participação fundamental na nossa história, o
que acontecia é que não lhe dávamos o crédito. Agora elas é que
escrevem o roteiro, com mão firme.
E
por falar em roteiro, o que me leva a discursos e reparei que esse
texto está parecendo com um discurso de senador, que fala, fala e
não diz nada. Mas com um assunto “fácil” desses? Creio que nem
Rui Barbosa conseguiria um texto completo sobre esse assunto tão
complicado.
Acho
que vou chamar o pai e discutir sobre as supercordas. Mais fácil.

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