sexta-feira, 7 de junho de 2013

Acredite se quiser

 (Texto baseado na versão dos Irmãos Grimm para a fábula "Chapeuzinho Vermelho", de Charles Perrault. Na verdade, mais um exercício de escrita. Perdão pela falta de originalidade)




Sou uma senhora bem idosa. Meu marido já faleceu, faz dez longos anos. Meus filhos moram longe e nunca têm tempo pra me visitar. Quando têm, não querem. Sou muito sozinha aqui nesta casa. Felizmente minha neta vem me visitar frequentemente. Ah, eu adoro essa minha neta. Ela é filha da minha caçula, a única filha que ainda lembra de mim. Quando minha netinha vem me visitar, ela sempre traz pratos preparados pela minha filha. E como cozinha bem! São doces, pães, bolos, lasanhas... Meu estômago pede socorro às vezes. E ai eu durmo mal, mal. Mas não posso me queixar. Afinal, quem manda ser olho grande? Só que isso acontece com freqüência e, nos últimos dias tenho ficado acamada direto. A sorte que minha adorada netinha vem me trazer uns chás digestivos e quem sabe mais uns docinhos. Escondida da minha filha, claro! Minha netinha e eu somos muito próximas.
Ela vem hoje, mas está demorando um pouco pra chegar. No mínimo não seguiu os conselhos de sua mãe em vir direto, sem parar no caminho. É que ela mora um pouco longe e tem que passar por uma floresta que nem sempre é segura. Mas a minha netinha é muito geniosa e sempre fez o que quis. Essa minha netinha tem a quem puxar. Tenho pena da minha filha; duas pessoas teimosas pra cuidar. A minha neta e eu.
Essa teimosia nos colocou em perigo uma vez: estava eu aqui, deitada na minha caminha quando alguém bate a porta. Achei que era minha netinha, pois era dia de visita e ela costumava chegar nesse horário. Perguntei quem era antes de abrir. Uma voz parecida com a da minha neta falou para abrir a porta. Eu estranhei a voz, mas como ando meio surda resolvi abrir assim mesmo. Tomei um susto enorme! Um lobo grande e assustador invadiu a minha casa e tentou me comer! E conseguiu! Já sou muito velhinha, não tinha condições de correr e fui uma presa fácil para ele. Engoliu-me inteira, não sei como conseguiu. Passei por suas presas e garganta como se estivesse entrando num tobogã de água. Foi assustador. Tão assustador que desmaiei lá dentro! Enquanto isso, o lobo bandido se faz passar por mim pra devorar a minha netinha! Um horror! Quase bati as botas quando minha neta me contou, fiquei horrorizada. Ela me contou que estava vindo pra cá, mas esse lobo a convenceu a admirar a floresta, pois não precisava ter pressa. Quando ela chegou em minha casa, encontrou a porta aberta e foi entrando até chegar no meu quarto. E o lobo, lá, deitado esperando pra atacar.
Uma coisa que me deixou um pouco triste foi o fato de minha netinha não reconhecer o lobo! Ora, nunca fui muito bonita, mas não era horrenda como aquele lobo! Já fui, inclusive, rainha do baile! Só não lembro quando, faz um tempão já. Sou velha. Mas como ia dizendo, o lobo acabou por engolir minha netinha, também. Que lobo mais voraz! Ela caiu em cima de mim, me despertando. Estava quente e escuro ali dentro da barriga, mas não podíamos fazer nada, estávamos indefesas. Foi quando começamos a ouvir um barulho estranho. Parecia um ronco. E então, de repente, um pequeno fio de luz apareceu. Logo, o fio de luz deu lugar a um corte na barriga do lobo e quase pude ver lá fora, não fosse minha netinha bloquear a passagem com aquele chapeuzinho dela! O corte se abriu e minha netinha conseguiu sair, em lágrimas. Estava muito assustada, coitadinha. Então, eu também saí e vi o nosso salvador! Um lenhador grande e forte. Um pouco rude, mas charmoso também. Ah, me deu saudade do meu velho marido.
Bom, mas ai o caçador nos tirou e a minha netinha, vingativa como era, resolveu colocar umas pedras enormes dentro da barriga do lobo. O caçador costurou a barriga dele que, quando acordou e viu aquele homem enorme, tentou escapar, mas o peso das pedras não o deixou fugir. Estava tão pesada que ele caiu no chão e morreu. Ah, foi uma cena muito chocante, nunca vou esquecer.

Pra encerrar, o caçador tirou a pele do lobo para si e eu tomei o meu chazinho digestivo. E um calmante também, é claro. Minha netinha acabou aprendendo uma importante lição nesse dia. E eu passei a ser menos gulosa. Até emagreci! Graças àquele forte e valente caçador.  

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