Mais um exercício de escrita. Fiquem à vontade para criticar.
“E a aula acabara do jeito que
começara: um silêncio total, daqueles que incomodam. O sinal tinha
tocado, mas ninguém se levantou. O professor, imóvel em sua mesa,
tinha como única ação a entrada e saída de ar de seus pulmões.
De vez em quando, um piscar de olhos. O que tinha sido aquilo? Como
acontecera? E por que?
Um pouco antes do sinal tocar,
ainda atônitos pelo acontecido, os alunos sentaram-se em seus
lugares, baixaram a cabeça e começaram a ler um texto dado no
início da aula pelo professor. Estavam em pé porque a atividade
feita por eles assim pedia. Tinham que contar uma história palavra
por palavra, cada aluno dizendo uma. Era. Uma. Vez. Um. Garoto.
Tonto. E. Burro. Não. Triste. Ficou uma história desconexa, mas
interessante. Esse tema fora proposto por uma das alunas mais
dedicadas da classe, que estava cansada da falta de participação do
seus colegas. Chamavam-na de Professorinha, de um modo pejorativo,
mas que não a incomodava.
Antes da Professorinha propor
essa atividade, o professor fizera um discurso motivacional aos
alunos para que eles se sentissem confiantes para o que estava por
vir.”
– Espera, espera um pouco –
uma voz potente interrompeu – Esse teu texto não faz sentido
nenhum, Júlia. Como assim aconteceu alguma coisa, mas tu não dizes
o que foi? E a história já está indo pra um outro caminho. Tens
que arrumar isso.
– É que eu quis colocar várias
coisas que eu gosto nela, Professor. – Essa era a Júlia falando
sobre seu texto que estava sendo lido em sala de aula, para todos
ouvirem. Uma competição sobre quem escreveria a história mais
legal e mais interessante.
– Tudo bem, Júlia, mas é
preciso ter coerência no que se escreve, não dá pra ficar
colocando os elementos da história, assim, de qualquer jeito. Vamos
dar uma olhada nele depois.
– Ta bem, professor. Então eu
posso sentar?
– Claro, vamos ao próximo
texto. É contigo, Luís Ricardo. Podes ir para a frente.
E nesse momento, quando Luís
Ricardo estava pra começar a ler sua história, Júlia acordou com o
despertador do celular. Mais um dia começava, mais um dia de aula
pela frente e, mais uma vez, ela teria que encarar aquele professor
que nem sequer verificava se ela tinha feito os temas ou não.
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