quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Inception

Mais um exercício de escrita. Fiquem à vontade para criticar. 

E a aula acabara do jeito que começara: um silêncio total, daqueles que incomodam. O sinal tinha tocado, mas ninguém se levantou. O professor, imóvel em sua mesa, tinha como única ação a entrada e saída de ar de seus pulmões. De vez em quando, um piscar de olhos. O que tinha sido aquilo? Como acontecera? E por que?
Um pouco antes do sinal tocar, ainda atônitos pelo acontecido, os alunos sentaram-se em seus lugares, baixaram a cabeça e começaram a ler um texto dado no início da aula pelo professor. Estavam em pé porque a atividade feita por eles assim pedia. Tinham que contar uma história palavra por palavra, cada aluno dizendo uma. Era. Uma. Vez. Um. Garoto. Tonto. E. Burro. Não. Triste. Ficou uma história desconexa, mas interessante. Esse tema fora proposto por uma das alunas mais dedicadas da classe, que estava cansada da falta de participação do seus colegas. Chamavam-na de Professorinha, de um modo pejorativo, mas que não a incomodava.
Antes da Professorinha propor essa atividade, o professor fizera um discurso motivacional aos alunos para que eles se sentissem confiantes para o que estava por vir.”
Espera, espera um pouco – uma voz potente interrompeu – Esse teu texto não faz sentido nenhum, Júlia. Como assim aconteceu alguma coisa, mas tu não dizes o que foi? E a história já está indo pra um outro caminho. Tens que arrumar isso.
É que eu quis colocar várias coisas que eu gosto nela, Professor. – Essa era a Júlia falando sobre seu texto que estava sendo lido em sala de aula, para todos ouvirem. Uma competição sobre quem escreveria a história mais legal e mais interessante.
Tudo bem, Júlia, mas é preciso ter coerência no que se escreve, não dá pra ficar colocando os elementos da história, assim, de qualquer jeito. Vamos dar uma olhada nele depois.
Ta bem, professor. Então eu posso sentar?
Claro, vamos ao próximo texto. É contigo, Luís Ricardo. Podes ir para a frente.

E nesse momento, quando Luís Ricardo estava pra começar a ler sua história, Júlia acordou com o despertador do celular. Mais um dia começava, mais um dia de aula pela frente e, mais uma vez, ela teria que encarar aquele professor que nem sequer verificava se ela tinha feito os temas ou não. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário