– Ei, você.
– Hã? Quem é?
– Aqui.
– Q-quem é você?
– Um amigo. Vamos conversar.
– Mas como chegou até aqui?
– Isso não importa. Temos negócios a tratar.
– Negócios? Que negócios?
– Uma dívida.
– M-mas como assim? Eu nem o conheço, como posso estar devendo algo pra você?
– Mas eu te conheço. Muito bem.
– Olha, não sei como chegou até aqui, mas não tenho nada a tratar com o senhor.
– Roberta.
– Que disse?
– Você ouviu muito bem. Roberta.
– Eu não sei de quem você está falando.
– Ah, sabe sim. E eu sei também.
– E-eu não sei, juro. Por que está tão perto?
– Por que está assim? Está com medo?
– Não, é que...
– Vim cobrar a dívida. E não receberei um não como resposta.
– Eu não sei de que dívida você está falando.
– Com ela? Eu não entendo...
– É por isso que estou aqui. Estou aqui para o teu bem. Vim te ajudar a resolver esse caso. E assim,
você me paga o que me deve. E aí, aceita?
– Vamos devagar, por favor. O que você sabe sobre a Roberta?
– Sei que ela te traiu. Mais de uma vez. E que ela destruiu a tua vida.
– Grande novidade, isso.
– Mas eu sei o verdadeiro motivo. E sei a injustiça que fizeram contigo. E o real motivo de você
estar aqui.
– Eu estou aqui porque fiz algo ruim.
– Não, você está aqui porque acham que você pode fazer algo ruim. Eles têm medo de você.
– Será?
– Confie em mim. Vamos nos vingar da Roberta, fazê-la sofrer tanto quanto você sofreu!
– Sim, seria uma boa... Mas como vamos fazer isso?
– Eu tenho um plano. Só precisamos passar por aquela janela.
– Mas ela está trancada, não é possível sair por ali.
– Você não está acreditando em si mesmo. Tente, você vai conseguir.
– Não sei porque estou confiando em você. Me parece familiar.
– Como eu disse, eu te conheço muito bem. Vamos, tente abrir essa janela. Vou cuidar a porta.
– Ok. Ta dífícil. Ta bem fechada. Você poderia-
– 2312! O que está fazendo nessa janela?
– Hã? E-eu... Nada, nada, enfermeiro. Eu, eu só estava conversando com o... cadê?
– Cadê o que, 2312? Saia dessa janela. Acho que tu tá precisando falar com o Dr Silvana.
– O doutor? Não, não, eu me comportarei, prometo, prometo!
– Bom. Tome, aqui está o seu medicamento da tarde. Isso, engula esse comprimido. Volto mais
tarde, 2312. Nada de ficar pendurado nessa janela, ouviu? Uma boa tarde pra você.
– B-boa tarde, enfermeiro. Roberta, cadê você, minha querida, cadê?

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