terça-feira, 17 de setembro de 2013

Escolhas

 Júlia finalmente chegara em sua casa depois de um dia cansativo no trabalho. Tantas demandas, tanto barulho, tanta coisa pra fazer. Subiu vagarosamente as escadas do prédio que ela morava já fazia algum tempo. Que não gostava, aliás, mas estava difícil achar algum outro apartamento que nutrisse as suas exigências. Estava difícil achar qualquer apartamento, na verdade, e, ao terminar esse pensamento, tinha chegado em frente à sua porta, de número 206. Enfiou a chave na fechadura, girou-a vagarosamente e finalmente entrou em seu lar: um apartamento pequeno, mas decorado com esmero. Jogou as chaves na mesinha de centro da sala e se atirou ao sofá. Ficou olhando pra TV, sem pensar em nada. Até que decidiu dar uma olhada na internet e ver se tinha algo interessante. Quem sabe alguma coisa do Nando, seu namorado, que estava viajando pra fora do estado faz um tempo. Nando gostava de mandar e-mails apaixonados para Júlia e já tinha virado um hábito para ela esperar um desses na sua caixa de entrada. Faziam dois meses que não se viam, Nando estava sempre viajando devido ao seu trabalho. Júlia detestava isso, mas nunca disse isso a Nando, obviamente.

Pra aumentar a curiosidade, resolveu olhar o Facebook e o Twitter primeiramente. Umas solicitações de joguinhos, umas curtidas aleatórias de foto, três recados de assuntos nada importantes de suas amigas e uma solicitação de amizade de um cara que nunca vira na vida. Passou pro microblog. Parado, nenhuma menção. Nem sabia porquê tinha twitter, na verdade, pois pouco tuitava, apesar de volta e meia dar algum pitaco em algum tuíte na sua timeline. Pulou essa rede social mais rápido que o facebook. E finalmente o e-mail. Umas quinze mensagens sem importância e ali estava! Um e-mail do Nando. Seu coração disparou, adorava os e-mails dele e a carência fazia com que esses últimos se tornassem especias, pelo tempo que estavam separados. Abriu-o e começou a ler.
“Oi, perdi meu celular. O que tenho pra te dizer não deveria ser por aqui, mas não há outro jeito, no momento. Como você está? Espero que esteja bem. Eu estou, apesar da correria de ficar pulando de cidade em cidade. Não sei como explicar isso de um modo que não te machuque, então lá vai: conheci uma pessoa. Tá, eu já fiquei com ela, passamos algumas noites juntos. Desculpa ser assim direto, mas não tem como aliviar um assunto desses. Eu queria te dizer que...”

Nem continuou. Fechou o notebook, segurou alguns segundos as lágrimas e desatou-se a chorar. Copiosamente. Como uma criança que não teve o que queria. Alguns minutos chorando e depois veio a pergunta clássica: por quê? O que ela tinha feito ou deixado de fazer pra que isso acontecesse? Por acaso não era uma boa namorada? Uma boa companheira? Por que jogar fora, assim, um namoro de dois anos? Por quê? Depois de todas essas perguntas, chegou à próxima fase: precisava fazer alguma coisa. Algo que a ajudasse a aliviar a situação. E então veio a dúvida: pizza ou sorvete?

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